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 Crimp - Definições

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Fábio Luiz Ceregatto

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Localização : Rio Claro

MensagemAssunto: Crimp - Definições   Sab Jan 11, 2014 4:06 am

Crimp - Definições

Crimp (v) – frisar, anelar, enrodilhar, preguear, plissar, franzir, etc. Como se vê, a tradução do inglês para o português não é muito justa com o ato de prender projéteis em estojos de munição.

Assim, como uma alternativa ao termo em inglês, poderíamos adotar os termos “cravar” ou “anelar”, se fosse o caso de sermos raivosamente contra termos estrangeiros.

Anglicismo é um termo ou expressão em língua inglesa que é introduzida em outra língua, muitas vezes devido à necessidade de se designar objetos, práticas ou outros casos que não tenham uma designação adequada.

Na atividade da Recarga de Munições usamos diversos termos cuja tradução deixaria muitas pessoas desorientadas. O jogo de ferramentas chamado de “dies” pode ser “morrer”, mas também pode ser cunho de moedas ou jogo de matrizes.

“Powder trickler” seria “gotejador de pólvora”, “fireforming” seria “formação a fogo”, “headspace” seria “espaço de cabeça” e por aí em diante. Assim, determinados termos ficam mais adequados na sua forma original, pois tal prática também é adotada em outras áreas da tecnologia, tais como Informática e Mecânica.

A etapa de crimp ou crimping é a fase em que se prende o projétil já assentado ao pescoço do estojo, assegurando sua firmeza e evitando o seu deslocamento ou extração acidental. Essa deformação controlada também auxilia a ignição da pólvora. No momento do disparo, o projétil somente é preso (tem resistência ao aumento de volume de gás) ao estojo pelo atrito com as paredes desse estojo, pela tensão do latão e pelo crimp. Isso vale para a munição que está sendo disparada e também para àquelas que se encontram na arma prontas para serem postas em posição de disparo.
Como o crimp serve para prender o projétil, sua aplicação pode influenciar na forma como a pólvora é queimada dentro do estojo e afeta a maneira que esse projétil inicia seu deslocamento para o interior do cano da arma. Ao oferecer resistência para liberar o projétil do estojo, o crimp possibilita que a chama da espoleta atinja por igual a pólvora, produzindo uma combustão equilibrada. Desta forma, pode-se dizer que a etapa de crimp é importante no desempenho da munição, requerendo várias considerações para seu entendimento e controle.

Empregos

Geralmente vemos o crimp empregado mais comumente em munições de armas curtas, pistolas e revólveres, já que em munição para armas longas a tensão de pescoço é que segura o projétil na sua devida posição e este vai quase engrazado no raiamento do cano. Porém, muitos tipos de munição para armas longas recebem crimp, seja para evitar o deslocamento do projétil, quando em armas automáticas ou semi-automáticas, seja para forçar a queima mais uniforme de um grande volume de pólvora, na procura por disparos mais regulares (exemplo, 45-70 Gov.).

Nas munições para armas curtas, o crimp é vital para o bom desempenho. Seja em fracas cargas para Tiro de precisão ou fortíssimas combinações de munição Magnum, o crimp desempenha a função de segurar o projétil na sua posição pré-determinada e dar tempo para a completa ignição da pólvora. A força ou pressão do crimp interfere nas pressões internas do estojo, pois retarda a liberação do projétil, quando a pólvora cresce rapidamente em volume de gases. Sem um devido crimp, certas combinações de munição ficam prejudicadas, pois a espoleta é forte o suficiente para deslocar o projétil de sua posição, antes mesmo da completa ignição da pólvora. Por outro lado, crimp muito forte danifica o projétil, gera pressões perigosas e afeta a vida útil do estojo.

Tipos de crimp

Basicamente temos três tipos de crimp: roll crimp (cravação redonda), taper crimp (cravação cônica) e stabbed ou ring crimp (pinçado ou factory crimp).

O roll crimp é utilizado em praticamente 100% das munições de revólver e algumas munições para pistolas semi-rimmed, como o .7,65mm Browning (.32 ACP) e o .38 Super (original).

O taper crimp é destinado às munições de pistolas e pode ser empregado em algumas combinações especiais para revólveres.

Já o stabbed/factory crimp é comumente utilizado em munições para armas longas, embora existam esses dies para munições de revólveres e pistolas, com resultados interessantes e aplicações específicas. Factory crimp é marca registrada da Lee Precision e visa reproduzir um tipo de crimp feito em linha de produção e muito visto em munições militares ou comerciais. Só devem ser utilizados em projéteis encamisados ou monolíticos (cobre, latão ou bronze).


Forma de aplicação

Em munição para revólveres, pistolas sem-automáticas e fuzis, o crimp é aplicado por uma ferramenta ou die que tem um ombro ou ressalto interno que força a boca do estojo a se fechar sobre o projétil.

Os jogos de dies comerciais normalmente vêm com um die que faz o crimp, embora algumas vezes, nas munições semi-automáticas e de armas longas, esse die tenha que ser obtido em separado. Todos os jogos de dies para revólveres têm no seu terceiro die o ressalto para roll crimp, mas nas pistolas o taper die é, eventualmente, acessório adicional e nos fuzis é peça especial. Jogos de dies para revólveres e pistolas vêm com três dies; jogos para armas longas são apenas dois dies, pois na maioria das vezes não há a etapa de abertura de boca e, consequentemente, não se precisa recuperar essa abertura, nem é comum aplicar o crimp.

É recomendável no processo de recarga que se faça o crimp numa etapa em separado. A maioria dos dies de recarga, mais especificamente no die que faz assentamento do projétil, é possível fazer duas operações ao mesmo tempo: assentar o projétil e fazer o crimp. Porém, isso pode incorrer em danos ao projétil e mau alinhamento na formação do crimp, pois este estará sendo aplicando quando ainda o projétil não foi inserido totalmente na sua posição definitiva. Assim, para se ter uma munição mais precisa, é boa norma aplicar o crimp depois que o projétil foi assentado. Para isso basta fazer a regulagem de assentamento sem que o ombro do crimp toque a boca do estojo. Na etapa seguinte, o crimp, basta retirar o pino de assentamento de forma a não interferir com o projétil e ajustar a pressão da cravação.

Nem todos projéteis podem receber o roll crimp, mas a maioria dos projéteis pode receber o taper crimp. Os projéteis desenhados para revolveres geralmente possuem um canal de crimp, que serve para receber a borda do estojo, quando se faz o fechamento. Projéteis encamisados podem receber o crimp nas canaletas recartilhadas que muitos modelos possuem. Mas projéteis sem recartilha ou canal de crimp ficam deformados se forem cravados por um roll crimp. Certo nível de deformação na superfície do projétil é até aceitável, mas em determinado ponto a integridade do componente é afetada e este pode tem comportamento erradico no momento do disparo ou durante a trajetória.

Projéteis para pistolas em geral não possuem canal de crimp, embora certos modelos possuam canaletas. Tais projéteis são desenhados para receber taper crimp, onde não há a necessidade de canal ou outro detalhe para fechar o estojo.

Projéteis para armas longas geralmente só possuem canal de crimp naqueles calibres onde essa aplicação é necessária, como, por exemplo, no 45-70 Gov. Alguns modelos de projéteis de fuzil apresentam canaletas recartinhadas, que servem para marcar a posição de assentamento e, eventualmente, receber crimp (taper ou factory).

A seguir, a descrição de cada tipo de crimp.

Roll crimp - O roll crimp é praticamente uma necessidade em munições para revólveres. Isso se dá porque o estojo geralmente tem que ser aberto para receber o projétil e o pescoço precisa, então, ser recuperado, deixando-o paralelo ao desenho do estojo, pelo menos. O roll crimp é aplicado no ajuste do die de assentamento e sua deformação é variada, dependendo do tipo de munição utilizada.
Em principio, o roll crimp deve ser aplicado tendo em vista o emprego e características de uma determinada munição. Cargas de revólver para Tiro informal podem receber um crimp mais leve, pois portam uma carga mediana de pólvora e esta não precisa de grande resistência para dar uma boa ignição. Já cargas +P ou Magnum precisam de crimp forte, pois possuem um volume de pólvora maior e geralmente essas pólvoras são de queima lenta ou média, requerendo mais resistência no deslocamento do projétil para dar plena ignição. Além disso, o recuo dessas classes de munições força o deslocamento do projétil, tal qual um martelo cinético (ou de inércia). Munição com projéteis tipo canto-vivo precisam de um bom roll crimp, pois o projétil é leve e a carga de pólvora, por ser muito reduzida, fica deitada ao longo do estojo, sendo pouco atingida pela chama da espoleta.

Para o ajuste do die na aplicação de roll crimp não há uma forma prática de aferição. A forma de ajustar um crimp de determinada munição é quase empírica e baseada em experiência própria. No roll crimp, o atirador deve tem maneiras de marcar um ponto de referência para ajustar a pressão do crimp. Usar marcas de referências no posicionamento do die em relação à prensa pode ajudar na rotina da regulagem. Porém, essas marcações só são válidas se o comprimento de estojo for sempre uniforme e igual, pois estojos de diferentes tamanhos ou bocas tortas irão ter diferentes graus de crimp.
É interessante manter munições de fábrica para comparação de roll crimp. Essas munições são geralmente testadas em laboratórios em relação à sua força de arranque e servem perfeitamente de parâmetro para saber se o crimp está forte ou fraco. Nota: força de arranque é a energia necessária para se extrair um projétil de seu estojo, medida em máquinas simples com pinças extratoras e registrada em quilos ou libras.

Para um correto roll crimp é importante que o estojo esteja no comprimento certo (todo o lote) e a boca não esteja desigual (torta). Além disso, é necessário que o die de fechamento esteja corretamente alinhado no centro do eixo da prensa. De outra forma, o crimp fica torto, reto de um lado e cravado do outro, com liberação incorreta no momento do disparo.

Deve-se atentar que um roll crimp muito forte diminui o tempo de vida de um estojo. O processo de disparo, calibragem, expansão da boca e crimp traz muito stress ao latão da área do pescoço do estojo. Em munições da categoria Magnum esse é um preço a se pagar, mas nas cargas mais comuns convém facilitar a vida do estojo.

Taper crimp – O taper crimp é um dos mais fáceis e práticos sistemas de crimp, pois é possível medir a deformação aplicada ao estojo. É também o sistema de crimp que menos causa stress nos estojos.
Sua regulagem se dá como no roll crimp, com a diferença que apenas não se visualiza facilmente a pressão feita em torno do projétil. Certas munições para pistolas, como o 9mm Luger, somente funcionam adequadamente com a aplicação de taper crimp. Deve-se ater que no taper crimp o projétil também é deformado pela pressão da cravação. Se o taper crimp for muito forte, o projétil é afetado no seu diâmetro e na sua constituição. Além disso, há um ponto em que o pescoço não aceita mais a pressão e o estojo dobra (deforma), formando um anel nas paredes do estojo, que impossibilita o seu municiamento na arma.

No processo de regulagem do taper crimp a prática nos dá algumas diretrizes simples, que passo a seguir como dica inicial. Basta ajustar o die para reduzir o diâmetro do pescoço em .004 milésimos de polegada para se obter uma boa pressão de suporte ao projétil. Vamos tomar o popular .40 Smith & Wesson como exemplo. Quando finalmente montado com o projétil, seu diâmetro externo tem .420” (.400” do projétil mais .020” das espessuras das paredes do estojo). Ajustando-se o die de taper crimp teremos o diâmetro na boca do estojo de .416”, com a subtração de .004”. Com isso, tem-se uma tensão adequada, o projétil não é deformado e se mantém o headspace da munição. Porém, nem todas as armas funcionam do mesmo jeito e nem todos projéteis têm o mesmo diâmetro e constituição. O atirador pode aumentar a tensão do taper crimp apresentado na minha sugestão, experimentando suas cargas em termos de precisão e velocidade. Nota: Antes de se levar a munição ao campo, convém tirar o cano da pistola e deixar cair a munição dentro da câmara. Se a munição entrar facilmente e sem resistências até o headspace é sinal que o taper crimp foi suficiente e a munição está devidamente fechada e calibrada.

Taper crimp também pode ser empregado em munição para revólveres, mas essa prática requer conhecimento e experiência, pois nem todas as situações são adequadas para o uso desse tipo de crimp. Munições de alto desempenho, como o .357 Maximum (SuperMag) ou munições específicas para revolveres de uso em Silhuetas Metálicas são beneficiadas pelo taper crimp. No entanto, são casos especiais e não se aplicam em munições comuns, de combinações simples. Taper crimp em munição de revólver funciona bem quando a câmara da arma é justa, como nos revólveres da Freedom Arms ou nas pistolas TC Contender, por exemplo. Em câmaras folgadas, o taper crimp faz com que a munição fique fora da linha de centro dessa câmara e, consequentemente, fora do alinhamento com o cano. Mas é interessante realizar experiências, pois vários atiradores obtêm bons resultados em revólveres usando taper crimp nas suas munições.



Factory crimp – Explicado de forma simplificada, o factory crimp é um die específico que possui um tipo de pinça (collet) que faz uma cravação lateral na boca do estojo. É o sistema de crimp mais resistente e eficaz de prender o projétil no estojo, mas seu uso deve ser parcimonioso, pois a força de arranque resultante aumenta as pressões de câmara e o latão do estojo é deformado em vários pontos. Os usuários desse tipo de fechamento e o fabricante (Lee) asseguram que o factory crimp dá mais uniformidade ao disparo da munição, por firmar melhor o projétil, principalmente em armas automáticas. Em certos calibres é uma solução salvadora, pois há estojos muito delicados que não aceitam bem o roll crimp, como o 44-40 WCF, por exemplo. Nesses casos, o factory crimp é uma solução que aumenta a vida do estojo, pois sua cravação é feita na lateral, em forma anelar, sem pressionar o estojo no seu comprimento (estojos de 44-40 são muito finos).
Para recarga fina deve-se considera se há vantagens em usar o factory crimp nas combinações, pois a boca do estojo fica visivelmente marcada pelas pinças e isso pode comprometer a vida útil do estojo, embora ocorram declarações em contrário. No factory crimp o projétil também é deformado, se este não tiver canaletas recartilhadas. Essa deformação, se for excessiva, prejudica a constituição do projétil e seu desempenho. Por esse motivo, o factory crimp deve ser aplicado com cautela.

Checando o crimp

Nas empresas fabricantes de munição e laboratórios de balística há máquinas que marcam a força de arranque de um projétil, ou a força necessária para deslocar esse projétil do seu estojo. Para o praticante da recarga de munições, não há produtos no mercado para esse serviço, mas têm-se como adaptar alguns aparelhos para se chegar a essa força de arranque. Usando-se um die de extração de projeteis, basta puxar a alavanca da prensa com o uso de uma balança digital de mão. Essa balança marca a força que se faz para extrair o projétil do estojo e o grau de eficiência do crimp aplicado.

Mas essa balança digital deve ser capaz de registrar muitos quilos, pois a força de arranque pode chegar a várias dezenas de quilos, dependendo do tipo de munição.

Outra forma de testar a tensão do crimp é atirar com a arma totalmente carregada, deixando um tiro sem disparar. Num revólver, carregue o tambor com uma carga completa e efetue todos os disparos, deixando um tiro sem disparar. Municie novamente a arma e faça a mesma sessão de disparo deixando o mesmo tiro sem disparar. Na terceira série de disparos, analise o tiro que não foi disparado e veja se houve deslocamento do projétil ou se ele permanece seguro na posição original. Nas pistolas semi-automáticas também se pode fazer o mesmo teste, apenas usando-se dois carregadores completos, pois o número de disparos é maior.

Outro ponto importante a se testar nas pistolas semi-automáticas é quanto ao afundamento do projétil dentro da câmara. Como a munição de uma arma semi-automática é peça funcional do sistema de disparo, o projétil sofre impacto e atrito na movimentação para ser inserido dentro da câmara. É comum vermos projéteis mal fixados serem deslocados para dentro do estojo ao baterem na rampa de alimentação da câmara. Essa é uma ocorrência perigosa e que estraga a precisão ou... explode a arma, visto que o projétil introduzido no estojo reduz o espaço para expansão da pólvora e gera altas pressões. Algumas munições, tais como o 7,65mm Browning e o .357 Sig são bem susceptíveis a esse tipo de ocorrência, requerendo a aplicação de um crimp adequado e criterioso.



O teste final da qualidade do crimp ou da munição é feito em campo. Embora vários fatores possam afetar o disparo e a concentração, ao se eliminar ponto a ponto esses fatores, é possível ver a influência de determinados detalhes. Geralmente um crimp frouxo ou desigual afeta o disparo na vertical, pois os tiros sairão com velocidades diferentes.

Observando-se as velocidades obtidas em cronógrafo também se vê os efeitos de um crimp fraco ou desigual. Velocidades muito discrepantes, o famoso “tiro louco”, podem representar um projétil que saiu de seu estojo pelo recuo (revólveres), ou, pior, um projétil de arma semi-automática que foi afundado no estojo por bater na rampa da câmara. Não há como se provar, mas é possível que essa ocorrência de projétil que colapsa dentro de estojo por falta de crimp seja o causador de explosões de armas sem motivo aparente.

Como já observado, o crimp é um elemento importante no processo da recarga de munição. Porém, ele é apenas um dos detalhes que fazem uma boa munição. O jogo, portanto, se chama “eliminar variáveis” e requer estudo, troca de informações e paciência por parte dos atiradores interessados em recarregar bem.

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